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Capela de Santo António

Monumento implantado em meia encosta, sobranceiro à vertente para o mar. No seu exterior destaca-se o painel rectangular de azulejos em azul e branco com a Lenda do Lago, a qual faz referência à vida marítima e seus perigos. No interior, o altar-mor apresenta nicho com a imagem de vulto do orago da capela.

Segundo a tradição, na época das embarcações à vela, as mulheres de pescadores reuniam-se junto à capela, esperando e rezando pelo regresso dos seus maridos.
Daqui se desfruta vistas de grande beleza.
 
Uma das lendas típicas da freguesia de São Martinho do Porto - a lenda do Lago - está relacionada com a Capela de Santo António, refúgio e amparo dos pescadores nas horas difíceis.

A lenda está escrita em verso, nuns bonitos azulejos que se encontram na parte exterior da capela. A lenda foi contada por um pescador e fala-nos de um barco que saiu para a pesca num dia de mar calmo. De repente, o mar ficou bravo e S. António, sempre vigilante, teria ficado apreensivo. O Santo desceu, então, do alto do seu nicho e transformou o mar em lago, salvando os pescadores.

E assim nasceu a lenda...
 
A Lenda do Lago
 
N’ AQUELA TARDE CALMA, FORA A PESCA ABUNDANTE;
SANT’ ANTÓNIO DO SEU NICHO, ASSISTE VIGILANTE
À FAINA. OS PESCADORES LARGAM JÁ D’AMARRA
E, COMO O MAR É MANSO, LÁ VÃO DE PROA À BARRA
ALEGREMENTE EM FILA, O PORTO DEMANDANDO
O LEME VAI NA ORSA, VELOZES VÃO PASSANDO
NA LINHA DA “CARREIRA”, EM FRENTE DA CAPELA;
O SANTO VAI CONTANDO, UM POR UM, VELA POR VELA.
 
O SOL É POSTO JÁ. TRAIÇOEIRO A REFRESCAR
O VENTO AFLIGE O SANTO E ATORMENTA O MAR.
TOLDOU-SE O CÉU TAMBÉM. LOGO A TERRA ESCURECEU
E NO REGAÇO SANTO, JESUS, ADORMECEU.
JÁ NAS ONDAS ENVERGAM OS NOVELOS D’ESPUMA
MAS, NA CONTA DAS VELAS, INDA FALTA UMA!
NOS LÁBIOS DE ANTÓNIO, TREMENDO D’ AMARGURA
ALGUMA PRAGA AO MAR, ENTRE AS PRECES SE MISTURA.
 
UM PONTO BRANCO, AO SUL, LÁ AO LONGE ENTRE A PORCELA,
TRAZ RUMO APROADO, À ALVURA DA CAPELA.
O BOM DO SANTO AO VER, ESSA ASA DE GAIVOTA
QUE, TÃO AUDAZ PROCURA, A LINHA DA DERROTA,
EMPALIDECEU E TREME, TREMENDO-LHE O DESTINO,
NÃO SE ATREVE PORÉM A ACORDAR O SEU MENINO
E MERMURA: “JESUS, SENHOR! A VAGA É TÃO ALTA!”
“AQUELA VELA É A MAIS PEQUENA QUE ME FALTA.”
 
ENQUANTO DURA, A LUTA, ENTRE O MAR E A VELA
ANTÓNIO NOTA JÁ, NÃO SER DESERTA A CAPELA
UMA POBRE MULHER, NOS DEGRAUS AJOELHA
ABRIGA CONTRA O SEIO UMA CABECITA DOURADA;
NO SEU ARDENTE OLHAR E SEUS OLHOS DE CRIANÇA,
O PONTO BRANCO BRILHA, COMO UM FAROL D’ESPERANÇA
E O PESCADOR AFOITO, APROA SEMPRE VELA
AO VULTO DA MULHER, À BRANCURA DA CAPELA.
 
O MAR REDOBRA A FÚRIA, É UM LEÃO RUGINDO
E TRANQUILO JESUS, NO REGAÇO VAI DORMINDO;
MAS AVISTANDO O PANO, ROTO PELA RAJADA.
A CABECITA D’OURO, EXCLAMA APAVORADA:
OH MÃE? OH MINHA MÃE?
É O MEU PAI, QUE LÁ VEM?
N’ISTO; O MENINO ACORDA E MUI MAL HUMORADO
O AIO SANTO INCREPA, DE SOBROLHO CARREGADO;
O QUE FOI ISTO ANTÓNIO? QUEM FOI QUE SE ATREVEU?
O SANTO APONTA A MEDO, A VELA, O MAR, O CÉU.
 
NOS OLHOS DA MULHER, ONDE A VELA É GRAVADA
UMA LÁGRIMA... UMA PÉROLA PENDURADA.
DESVAIRADA AO VÊ-LA, IMPLORA “SANT’ANTÓNIO”:
“SENHOR... FAZEI BONANÇA... O MAR É UM DEMÓNIO”...
JESUS SEVERAMENTE, DO NICHO ENTÃO DESCEU,
COM A MÃOZITA EM CONCHA, A PÉROLA COLHEU,
O SEU ROSADO BRAÇO, ENERGUIDO BALANÇA
E ÀS ONDAS INFERNAIS, A HUMILDE JÓIA LANÇA.
 
DEPOIS... SORRIU AO SANTO, COM DIVINO AFAGO
E NO MAR, DEFRONTE DA CAPELA, FEZ-SE O “LAGO”.
 
Um pescador




Foto gentilmente cedida por Dias dos Reis (http://www.pbase.com/diasdosreis)



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